domingo, março 01, 2009
Vi, gostei e recomendo pra março/2009 - Por Elis Campos
Venho por meio deste post tecer breves comentários sobre os filmes indicados pra este mês de março. Nunca havia feito isso aqui antes, mas como alguém me pediu que eu falasse brevemente sobre os filmes recomendados, cá estou eu para fazê-lo.
Clicando sobre cada pôster (localizados à direita da tela), você vai ser direcionado para páginas que fornecem as informaçoes básicas sobre cada filme.
"Batman - O retorno" (Batman returns - 1992; dir.: Tim Burton)
Ok, nunca fui fã de personagens dos quadrinhos que foram parar no Cinema. Aliás: personagens fantásticos, heróis e companhia nunca foram minha praia. Mas se tem um personagem "de mentirinha" com o qual eu simpatizo, é o Batman. E a mistura Batman - Tim Burton foi uma maravilha. Em "Batman - O retorno", Burton dá imenso destaque aos viloes (sua especialidade), nos trazendo personagens brilhantes, como o Pingüim (Danny DeVitto) e a Mulher-Gato, interpretada pela altamente sensual Michelle Pfeiffer, perfeita. Miaaaaauuu!
Pra mim o Michael Keaton foi o melhor Batman, até agora :-)
"O inquilino" (Le locataire - 1976; dir.: Roman Polanski)
Dando continuidade à minha pesquisa sobre cineastas poloneses e suas obras maravilhosas, me deparei com este tesouro do franco-polonês Roman Polanski. Talvez por pura identificação, o próprio Roman entrou na pele de um imigrante polaco que vai morar em Paris e passa a viver uma bizarra trama de mistério depois que aluga um apartamento, de onde a antiga inquilina cometeu suicídio pulando da janela. A sucessão de fatos é tão brilhantemente montada que deixa qualquer um perplexo. O final é uma pérola do mais puro humor negro. Sensacional.
"O inquilino" faz parte da famigerada "trilogia do apartamento", ao lado de "O bebê de Rosemary" e "Repulsa ao sexo". Daqueles filmes essenciais. Merece, e muito, ser visto.
"Cães de aluguel" (Reservoir dogs - 1992; dir.: Quentin Tarantino)
Primeiro longa-metragem de um realizador já contar com nomes como Tim Roth e Harvey Keitel? Algo assim só poderia vir num trabalho de um ótimo diretor, como Quentin Tarantino.
Seis criminosos se reúnem num grande roubo de diamantes, mas algo dá errado e o plano do "roubo perfeito" começa a se desmantelar completamente.
A partir de um roteiro aparentemente bastante simples, Tarantino faz um filme muito bom - o melhor de tudo está nas atuaçoes e, claro, na genial montagem, típica de Tarantino, com flash-backs e cenas muito, muito bem editadas. O final é pura reviravolta. Muito bom.
Divirtam-se!
Abraços
Elis :-)
sábado, janeiro 17, 2009
"Um sonho sem limites" (1995) - Por Elis Campos
osta a tudo) é o título em francês, que eu acho lindo. Tao lindo quanto o original, “To die for”. Interessante como títulos realmente bem bolados ficam na nossa cabeça, e sao alguns dos fatores que nos deixam interessados em ver certos filmes. Quem me falou a primeira vez sobre esse filme foi Hugo, em uma de nossas agradáveis conversas sobre Nicole Kidman e seu talento extraordinário. O título do filme e sobretudo o pôster , que me chamou a atençao pelo azul e pela sensualidade da pose de Kidman (porque apesar de ser mulher, sei admirar a beleza de exemplares do mesmo gênero, e ser muito justa :-)), me causaram um efeito muito positivo. Como alguém já disse por aí, a imagem fala, e muito bem, mais do que palavras, em certas ocasioes. Pôster, pra mim, é mais da metade do sucesso na divulgaçao de um filme. Nossos olhos se deliciam em ver pôsteres bem feitos, e também gritam de horror diante de um Photoshop mal usado ou de uma montagem digna de Paint. É por isso que eu digo e repito: tem muita gente precisando aprender a fazer pôster de filme com os poloneses. Incontestavelmente eles sao mestres nessa verdadeira arte.Eu amo o título “To die for”. E sempre quis saber porque danado esse filme tem esse título. Era alguma coisa “de morrer por”, e eu queria saber o que era. E foi uma grata surpresa vê-lo em minha aula de Écriture Scén.; nunca pensei na minha vida que veria esse filme uns 2 ou 3 anos depois de ouvir falar sobre ele, e nunca pensei que fosse vê-lo legendado em francês (um desafio! Kkkkkkkk!), na França. Coisas do destino! Às vezes fico gastando um tempao pensando nessas bobagens, e o pior: acabo escrevendo tudo no blog! Kkkkkkkkk!

lquer preço. QUER VER O TRAILER?
- O diretor David Cronenberg faz uma ponta neste filme, em algumas das cenas finais.
Abraços!
Título Original: To Die For
Gênero: Comédia
Tempo de Duração: 106 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1995
Direção: Gus Van Sant
Roteiro: Buck Henry, baseado em livro de Joyce Maynard
sábado, novembro 15, 2008
"O Piano" (1993) - Por Elis Campos (ATT: SPOILER)

O piano não é só o título desse filme. É a chave que permite desvendar muito de seus personagens e as relações que eles mantêm entre si.
O piano pode ser encarado como a própria Ada. O motivo por ela antipatizar seu marido foi sua recusa em levar o piano. Recusando-se a carregar o instrumento e considerando-o dispensável de sua atenção, Stewart atingiu diretamente a mulher, já que o piano é sua alma e a música sua forma de comunicar-se com o mundo.
Ao levar Ada à beira-mar, para tocar o piano, Baines assume, de certa forma, o papel que o marido não assumiu. Ele dá a atenção à necessidade de Ada de encontrar seu instrumento. É nesse momento, quando ele a vê sorrir, feliz, que ele se apaixona. Pela música, pela voz da mulher.
A forma que ele encontra, portanto, de a atrair para si é adquirir o instrumento. Ele não tem outros meios de fazê-la voltar a atenção pra ele, a não ser pelo piano. Ele é analfabeto, bruto e índio – posições completamente desfavoráveis naquele contexto, que acabariam com suas possibilidades de ser socialmente desejado e aceito por uma mulher branca, num ambiente de brancos. Em cenas mais adiante, quando Stewart está na casa de suas amigas – todas brancas, num ambiente predominantemente ariano – Baines também toma café, mas do lado de fora do círculo de conversas dos demais. Ele se apaixonou por Ada quando a viu tocar. Então, o que fazer para trazê-a pra junto de si? Trazer o que ela mais ama, algo sem o qual ela não possa viver. Pode haver alguém que ache que esse meu pensamento é cruel, que estou encarando o personagem como um tipo de “interesseiro”; por favor, não pense assim! É justamente o contrário. A atitude de Baines, ao meu ver, foi delicada e, desde já, um ato de amor – proporcionar prazer tanto para si (que desfrutava, através do piano, da companhia da amada) quanto para o ser amado (dando a Ada a oportunidade de ver e tocar seu piano).
O homem que nos aparecia até agora um tanto brutal revela-se o oposto. Apesar de seu iletrismo e “ignorância”, Baines contrata um afinador pra cuidar dos reparos no piano. Como um bruto conceberia essa idéia? É a partir daí que percebemos que vazio, mesmo, é Stewart, que apesar de seu possível “nível mais elevado” não tem a mínima sensibilidade pra compreender a mulher, nem está atento à tristeza de sua esposa pela ausência do piano. Ada, que julgava Baines um grosso, surpreende-se quando nota o piano afinado. Baines percebe a surpresa de sua amada, e fica feliz em vê-la satisfeita. Mesmo assim, ele não diz que mandou afinar o piano. Talvez porque queira revelar-se, aos poucos, um homem bem diferente daquela idéia que ela concebe.
Baines toma uma atitude de coragem e toca em Ada. É aí que um dos elementos da paixão – o toque – surge. Mas o toque de Baines não é de malícia. Na verdade, aos meus olhos, nenhuma de suas atitudes é. Ele é um ingênuo, puro, que acha que sua única oportunidade de conquistar a mulher é usando um tipo de “força bruta” – obrigando-a a submeter-se aos seus carinhos em troca de outra coisa (as teclas do piano). Ele não sabe lidar bem com seu novo sentimento, e acaba trocando os pés pelas mãos, pela inexperiência.
O índio é freqüentemente retratado como puro, lidando com certa ausência de malícia e normalidade com o que se refere àquilo que, ao olhar do branco colonizador, é passível de veto. A cena em que Baines e outros índios conversam enquanto ele lava roupas é um desses momentos. A índia fala que Baines precisa de uma mulher, que está muito só. O diálogo travado entre o grupo, apesar de tocar em pontos que seriam “normalmente” delicados, não carrega nenhuma malícia. A índia fala sobre o assunto e Baines não se sente constrangido. Tudo parece perfeitamente normal pra eles.
É como na cena em que, após espiar a mãe e Baines deitados juntos, no chão, a menina imita, em troncos de árvores, os beijos que presenciou, enquanto brinca com as outras crianças indígenas. As índias adultas que estão com as crianças não encontram nenhum problema na brincadeira, mas ao ver o que a menina está fazendo, Stewart a repreende e diz que o ato é vergonhoso. Nessa determinada situação aparece o contraste entre a ausência de malícia do índio e o pensamento maldoso do europeu colonizador, que acha a mera reprodução do ato de beijar alguém uma atitude ofensiva.
Outro momento, ainda mais emblemático, é na cena do teatro. Os índios assistem à peça teatral ao estilo europeu – elemento, este, que não faz parte de sua cultura – e se revoltam na cena em que o marido ameaça cortar os dedos da mulher. Eles partem pra cima para defendê-la, porque fazem parte de seus costumes defender a vítima e atacar o agressor, e eles acreditam estar não diante de uma ficção, mas de um acontecimento real.
ISSO NOS REMETE...
... à cena em que, recebendo a tecla do piano que tem gravada uma declaração de amor de Ada para Baines, Stewart parte armado com um machado para cortar o dedo de sua mulher. É uma forma de punir Ada, cortando um dedo seu – instrumento necessário para tocar o piano – e de desafiar Baines, já que, cultualmente, ele jamais admitiria ver um homem atacando uma mulher, principalmente a mulher que ama. Stewart desafia Baines, enviando-lhe o dedo cortado e a mensagem que diz que, se ele tentar ver Ada novamente, ele a fará perder outro dedo.
VOLTANDO:
Uma das primeiras cenas de intimidade entre os personagens de Harvey Keitel e Holly Hunter é quando ele pede que Ada levante a saia, e ele toca a pele dela por um pequeno furo na meia. Já foi considerada uma grande invasão da intimidade da mulher, que levantou a saia e exibiu um minúsculo pedaço de sua perna velada. Esse contato, tão íntimo para a época, revela mais uma vez a pureza de Baines, que trocou algumas teclas do piano por um simples toque, feito por um minúsculo buraco.
Mais à frente, percebendo que ultrapassou os limites ao compartilhar total intimidade com Ada, Baines sente vergonha pelo fato de trocar peças do piano por atos amorosos. Ele lhe diz que a situação faz dele um miserável e dela uma prostituta. É aí, ao voltar triste pra casa, que percebemos que Ada também se apaixonou. Ela continuou a ir não só pelo piano, mas pelo amante.
Posteriormente, Ada retorna à casa de Baines. Ele está doente desde que devolveu o piano à sua dona. Ela chega e tenta transmitir um pouco do que sente pelo olhar, mas Baines não consegue entendê-la. É aí que os dois amantes se revelam verdadeiramente apaixonados. Ada, muda, incapaz de responder, tenta falar com os olhos. É quando os dois têm o primeiro contato carnal genuinamente amoroso, em que não há trocas nem interesses envolvidos. Do lado de fora, o marido de Ada espiona e nota que Baines, agora seu rival, toca livremente em sua mulher, ato que lhe é vetado. O marido toma a posição de voyeur, e espiona os amantes até a hora em que Ada sai.
No dia seguinte, Ada segue o caminho da casa de Baines para encontrá-lo. No dia anterior ele havia pedido a ela que voltasse, caso ela o estivesse amando, realmente. Mas o marido a segue e a surpreende no caminho. É quando Ada fica numa espécie de cárcere em sua própria casa. O marido fecha todas as janelas e portas pelo lado de fora, impedindo a esposa de sair e encontrar-se com o amante. Ele alega que fez isso temendo ter a casa invadida pelos maoris.
ISSO NOS É EXPLICADO POR...
... cenas anteriores, em que os índios foram receber seus pagamentos. Stewart segura um pote cheio de moedas, e tira algumas poucas pra distribuir entre os trabalhadores. Mesmo segurando um pote lotado de dinheiro, ele alega que não pode pagar mais. É quando os índios tiram o pote de suas mãos e levam o dinheiro consigo. Eles vivem em exploração, condições precárias e recebem mal por seus trabalhos. Stewart não entende o que a terra significa pra eles, e apesar de toda recusa que recebe quando quer comprar propriedades de alguns índios maoris, ele insiste, dizendo a Baines, depois, que não entende para quê os nativos querem as terras, se não as queimam para o cultivo. Os índios têm uma noção de respeito e conservação das terras que os colonizadores são incapazes de entender. Para os brancos, as propriedades têm de ser cercadas – para marcar o domínio, a posse, a exclusividade -, e não teriam nenhuma serventia se não fossem exploradas.
VOLTANDO:
Dias depois, o marido volta atrás de seu ato, na esperança de que a mulher o ame algum dia. Ele lhe “faz um voto de confiança e dá mais uma chance”, abrindo as janelas e portas. Stewart faz Ada lhe prometer que não sairá pra encontrar-se com Baines. Ela balança a cabeça e concorda. Quando o marido sai, ela retira uma importante tecla do piano e escreve nela uma declaração de amor para Baines. Pede que Flora vá à casa dele e lhe entregue o embrulho, mas a menina demonstra contragosto e diz que não vai. Depois de muita insistência da mãe, Flora vai, mas muda de caminho e resolve entregar o embrulho a Stewart.
Interessante, porque Baines não sabia ler. Portanto, não iria entender nada do que estava escrito na tecla. Mas o significado, aqui, não são as palavras, mas sim a própria tecla. Ada só faria o sacrifício de retirar uma parte de seu piano por amor. Enviar a tecla a Baines foi uma demonstração de afeto, uma afirmação de seus sentimentos; foi, também, uma maneira de avisá-lo de que ela não foi lhe encontrar porque algo a impediu.
É quando acontece a triste seqüência em que vemos a mulher ser arrastada pelo marido, que, aos gritos, lhe ordena que ela lhe diga se é Baines, mesmo, que ama. Lhe foge completamente o fato de que Ada é muda.
À noite, quando Ada está na cama, adormecida, com a mão enfaixada, Stewart tenta ter relações sexuais com ela. É quando a mulher acorda e olha pro marido. Nessa cena se presencia uma mudança incrível na fisionomia de Sam Neill. É como se Stewart estivesse escutando a voz de Ada. A seguir ele vai, armado, à casa de Baines. Lá, ele tem um diálogo com seu rival bastante interessante. Ele fala do rosto de Baines, de suas tatuagens – o que ele teria de tão diferente, de melhor, que a fez preferir o índio ao branco? – é quando ele pergunta se, no último dia em que os amantes se encontraram, Ada lhe falou alguma coisa.
ISSO NOS LEMBRA...
... a cena em que Ada contava à Flora como era seu pai. A menina pergunta como ela se comunicava com ele, no que Ada responde que palavras não eram necessárias. Era como se o pai de Flora fosse uma folha em branco, onde ela pudesse escrever seus pensamentos.
VOLTANDO:
De certa forma feliz por ser o único capaz de entender o silêncio de Ada, Stewart reproduz o que ela lhe teria dito. Ele diz que está disposto a atendê-la, liberando a mulher e deixando-a ir embora com Baines.
Nas cenas seguintes, já vemos a partida de Ada, Baines e Flora. E, claro, o piano. Já em alto mar, com o piano amarrado ao barco por cordas, Ada “se arrepende” de tudo, e resolve pedir que joguem o piano na água. Ao meu ver, esse é o momento de libertação total para ela: libertação de seu passado, de seus atos e, o mais importante, de sua mudez. O piano é jogado ao mar, e Ada resolve ir com ele. Põe o pé nas cordas, que a puxam com violência, atada ao seu piano. Ada vai afundando, quando decide voltar. Ela consegue soltar seu pé da corda e imergir. É um renascimento. A personagem diz algo como: “Que morte! Que ressurreição!”, e é exatamente disso que se trata. Ada morre pra sua vida antiga, seu passado, e nasce, inteiramente renovada. Ela volta sem a mudez. Portanto, realmente não precisa mais de seu antigo piano. Renascimento, nova vida. Para mim, é o que há de mais belo em todo o filme. O final é uma agradabilíssima surpresa.
..................................................... fim do spoiler
Bem, por aqui vou finalizando os enormes textos que escrevi sobre este filme. Há muito mais o que comentar, mas acho que já o cansei bastante, caro leitor! Quando puder, assista novamente. É um filme lindo, carregado de significados. E como eu digo: cada vez que revemos um filme, vemos um novo filme. Aproveite pra tirar suas próprias impressões, e deliciar-se novamente com essa obra-de-arte digna de todos os elogios.
terça-feira, outubro 14, 2008
"O Piano" (1993) - Por Elis Campos

Pois bem. Sei lá porque, nesse último fim de semana me bateu uma saudade imensa do filme e da trilha sonora. Apesar da crise, se eu soubesse onde encontrar o DVD por aqui, teria saído e ido atrás. Como dizia minha avó, “mais vale um gosto que um vintém”, e eu concordo plenamente. Sofri a saudade só no fim de semana. Na segunda-feira, quando saí da aula de Cinema Moderno (inspiradíssima), comecei a empreender minha deliciosa busca por um exemplar do filme. Encontrei duas edições: uma mais simples (só o basicão, mesmo – o filme) e outra linda, com dois discos, sendo que um é o do filme e o outro é só de material extra. A desvantagem de ambos é só ter legendas em francês. Eu pensava que esse problema de legendas em uma só língua só existisse nas produtoras brasileiras; pude comprovar que não é um erro só nosso. Aqui na França é a mesma coisa. E ainda pior: há filmes que são dublados em francês e só (até nos cinemas, pasmem). Não tem legenda alguma, só a droga da dublagem.
Primeira parte: Resenha
Escócia, 1852. Ada (Holly Hunter) é muda. Desde os 6 anos de idade ela não pronuncia palavra alguma. Ninguém sabe por que, nem mesmo ela - segundo ela mesma, que é a voz narrativa do filme. Sua voz não é audível; quem fala é seu pensamento. Mas, segundo ela, ainda, a voz não lhe faz falta. Seu piano fala por ela.
Ada tem uma filha de 9 anos, Flora (Anna Paquin), uma garota espertíssima e impossível, com quem tem uma relação muito íntima. Sua família fez um casamento arranjado entre ela e um colono que vive na recém descoberta Nova Zelândia. Eles nunca se viram, e Ada vai partir pra lá com a menina pra iniciar nova vida, ao lado de um marido desconhecido, numa terra estranha.Ela desembarca, com a criança, suas bagagens e seu piano na deserta e insólita praia do novo território. Passa a noite esperando o marido e seus serviçais, que a ajudarão a carregar as bagagens para a nova casa.
O momento de mais felicidade da personagem em quase todo o filme é quando ela revê seu piano. Ela se senta e fica tocando o instrumento até anoitecer. O índio Baines fica ao redor, de pé, acompanhando as lindas melodias que Ada arranca do teclado, enquanto a menina dança ao som
Baines manda buscar um afinador pra deixar o piano no ponto. Ada vai pra dar sua primeira lição, e diz a Baines que não poderá ensinar em um piano desafinado. Perplexa, ao experimentar o piano, vê que está afinado. Ela, então, pede a Baines que lhe mostre o que ele sabe tocar. Ele lhe diz que não sabe tocar nada, nem quer aprender. Ele quer apenas escutá-la.
Ada volta regularmente à casa de Baines, só pra tocar seu amado piano. Mas um dia, enquanto toca, Baines se aproxima e beija sua nuca. Assustada, Ada pega suas coisas e faz movimento de sair, quando Baines lhe propoe um negócio. Trocar o piano, pedaço a pedaço, por carícias. A partir daí, quanto mais íntimo vai ficando o contato entre eles, mais teclas do piano Ada recebe.
Um dia, ao chegar para as “lições” habituais, Ada se depara com um grupo de índios que retira o piano da casa de Baines. Ela entra e, com a filha, pergunta para onde o piano está sendo levado. Baines diz que está lhe devolvendo o piano, e, reservadamente, lhe confessa que não pode continuar a fazer o que faz, pois seu ato o torna miserável e faz de Ada uma prostituta. É a partir daí que começamos a presenciar o conflito interior que Ada está sofrendo, pois as lições passaram a ter outro significado pra ela, muito além de um sacrifício ou uma obrigação.
“O piano” foi o filme que projetou mundialmente a carreira da diretora neo-zelandesa Jane Campion. Deu a Holly Hunter o Oscar de melhor atriz e ganhou a Palma de Ouro em Cannes. E é um filme com roteiro original, escrito pela própria Campion! Genial.
Jane Campion entende o universo feminino como poucos. Talvez por também ser mulher, ela consiga exprimir sensorialmente, visualmente e por meio de palavras tantos sentimentos genuínos de nosso sexo. Posso dizer que ela consegue tocar o âmago, o profundo, a essência da alma feminina. Quem assistir a “O piano” e “Retratos de uma mulher” dificilmente vai discordar de mim.Seus personagens são delicados, labirínticos, profundos, enigmáticos, misteriosos. Ada é a mulher muda que faz do piano sua voz. Baines é o homem solitário, que apaixonado pelo som do piano, apaixona-se por sua dona, e procura realizar nela fantasias inconfessáveis e inatingíveis senão à uso de alguma força. Stewart é o marido aparentemente quieto, pacífico, que quer tocar e sentir o amor de sua mulher, mas jamais obtém êxito. Os conflitos que cada um vive são dignos de ser analisados. Cada personagem vive suas batalhas internas e externas, e tentam encontrar o que consideram que seja a felicidade apesar dos obstáculos que os tentam impedir.
Já houve quem dissesse que “O piano” fala essencialmente de desejo. Eu até acho válido, contanto que nao tomem a palavra “desejo” somente num contexto sexualizado, de conjunção carnal. A ligação entre Ada e Baines não é só o toque, a intimidade física, mas muito mais que isso. É uma fusão de almas, apesar das diferenças que poderiam impor um abismo entre eles – Ada com sua mudez e aparente incomunicabilidade, Baines com seu jeito bruto, com seu analfabetismo e iletrismo,que à primeira vista o deixariam indiferente ao universo predominantemente sensorial de Ada.
“O piano” é um filme extremamente sensível, poético e belo. Há cenas lindíssimas, filmadas em cenários desérticos, exóticos, pulsantes. A fotografia é maravilhosa, e passa toda a frieza da luz do ambiente. Aprecie cada imagem, e cada música. Vale ressaltar que, nesse filme, a música é um universo independente e ao mesmo tempo em total ligação a tudo! As composições de Michael Nyman são deliciosas, leves, sutis. Vide "The Heart Asks For Pleasure First", a música-tema do filme.
Michael Nyman é um compositor britânico que fez muitas trilhas sonoras pra Cinema. Poucas vezes pra filmes hollywoodianos. É ele o autor das trilhas de “Fim de caso” (1992) e vários filmes de Peter Greenaway, como “O cozinheiro, o ladrão, sua mulher e o amante” (1989) e “O Bebê santo de Macon” (1993). Sem dúvidas, seu trabalho para “O piano” foi um dos melhores de sua carreira até agora. Não há uma música que possa ser classificada como razoável. Todas são brilhantes. E por falar na música, vale citar que foi a própria Holly Hunter quem tocou piano em todas as cenas.
A atuação de Holly Hunter é fantástica. Sem abrir a boca pra dizer uma palavra ela nos fala tudo o tempo todo, e se revela completamente. O olhar, os movimentos gestuais e o silêncio são suas poderosas armas de comunicação. Ela está numa das interpretações femininas mais extraordinárias que eu vi, até hoje. Perfeição chega a ser palavra insuficiente pra classificar a performance de Hunter nesse filme. Merecidamente, por esse trabalho, ela ganhou o Oscar de Melhor Atriz, o Globo de Ouro de Melhor Atriz - Drama, o BAFTA de Melhor Atriz e o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes.

Harvey Keitel é um capítulo à parte. Quem conhece já está acostumado a vê-lo em filmes de gêneros completamente diferentes de “O Piano”.
“Taxi driver”, “Cães de aluguel” são alguns exemplos de trabalhos que ele já fez. No primeiro, pra quem não lembra, ele interpreta Sport, o cafetão que explorava os “serviços” de Iris , interpretada por Jodie Foster. No segundo, estréia de Quentin Tarantino como diretor, ele faz Mr. White, um dos seis bandidos reunidos pelo personagem de Lawrence Tierney para um grande roubo de diamantes. Freqüentemente ele interpretava o bandido, ou o durão, ou o mau ou o impiedoso. Mas isso não quer dizer que Keitel é ator de mesmice. É justamente o contrário. Ele é incrivelmente versátil. Escolhe produções versáteis, de diretores versáteis, em países versáteis. Eu amo atores que fazem isso; saem do circulozinho de “Hollywood” e buscam mais. Esse tipo de ator é pleno, completo!
Mas, sem dúvidas, ver um Keitel mais “romantizado” deve ter chocado um pouco alguns espectadores que já o tinham visto em seus personagens fechadões. Baines ainda é um personagem recluso, mas é romântico, essencialmente. E o melhor de tudo foi essa fusão entre o personagem apaixonado e o ator que faz tão bem tipos tão sérios! O personagem ficou tão equilibrado, tão equilibrado, que atingiu a plenitude. Romântico sem ser piegas. Sublime.
Na cena em que Baines se declara a Ada, pode-se visualizar perfeitamente o que eu estou dizendo aqui. Ele está apaixonado, mas apesar do desejo, não perde o controle. Ele fala tudo de forma tão natural, tão simples, que foi capaz de deixar o diálogo limpo e cravejado de sentimentos, ao mesmo tempo. O equilíbrio de expressão é demais, e faz o espectador descobrir e redescobrir Harvey Keitel, só se rendendo ainda mais ao seu talento e è sua capacidade artística inquestionáveis.
Sam Neill faz um tipo de papel que sempre lhe cai bem. O homem aparentemente equilibrado, que perde e reconquista o controle de si mesmo em um piscar de olhos. Ao meu ver, ele é o personagem mais difícil do filme, o mais fechado em copas. Ele se mostra um marido atencioso, que busca compreender a esposa, apesar da falta de palavras. Mas na realidade, ele a trata como um ser diferente, à parte, e talvez esse seja um dos pontos que o faz mais desagradável às vistas da mulher. Ele segue equilibrado até certa altura da narrativa. No momento em que ele é que se sente incompreendido, revela uma outra face sua, incapaz de medir conseqüências. Interpretação excelente.
Anna Paquin é outro capítulo à parte. Por sua atuação nesse filme ela ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante e recebeu uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante. Sua personagem é afetuosa, inteligente e geniosíssima. A menina é a porta-voz da mãe diante de um mundo que não a compreeende, e talvez por isso sinta que a mãe precisa lhe comunicar e justificar tudo o que faça. Mas, acima de tudo, ela é uma criança, e faz muitas coisas por inocência, sem senso de maldade. Alguns de seus atos vão gerar conseqüências irreversíveis. E sua íntima ligação com a mãe fará com que sinta muito alguns danos.
PREMIAÇOES:
- Ganhou 3 Oscars, nas seguintes categorias: Melhor Atriz (Holly Hunter), Melhor Atriz Coadjuvante (Anna Paquin) e Melhor Roteiro Original. Foi ainda indicado em outras 5 categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Fotografia, Melhor Figurino e Melhor Edição.
- Ganhou o Globo de Ouro de Melhor Atriz - Drama (Holly Hunter), além de ser indicado em outras 5 categorias: Melhor Filme - Drama, Melhor Diretor, Melhor Atriz Coadjuvante (Anna Paquin), Melhor Roteiro e Melhor Trilha Sonora.
- Ganhou 3 prêmios no BAFTA, nas seguintes categorias: Melhor Atriz (Holly Hunter), Melhor Figurino e Melhor Desenho de Produção. Recebeu ainda outras 7 indicações, nas seguintes categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Fotografia, Melhor Edição, Melhor Roteiro Original, Melhor Trilha Sonora e Melhor Som.
- Ganhou o Cesar de Melhor Filme Estrangeiro.
- Ganhou a Palma de Ouro e o prêmio de Melhor Atriz (Holly Hunter), no Festival de Cannes.
- Ganhou o Independent Spirit Awards de Melhor Filme Estrangeiro.
- Ganhou o Prêmio Bodil de Melhor Filme Não-Americano.
CURIOSIDADES:
- Por causa da censura recebida, a atriz Anna Paquin não pôde assistir ao filme nos cinemas, já que na época de seu lançamento tinha apenas 11 anos.
- Após “O Piano” o ator Harvey Keitel ainda trabalhou em outro filme dirigido por Jane Campion, "Fogo sagrado” (1999).
- O orçamento de “O Piano” foi de US$ 7 milhões.
(Fonte: AdoroCinema.com.br)
- Para efeito de realismo, as tatuagens que o personagem de Harvey Keitel usa no filme foram feitas por um verdadeiro tatuador Maori.
- Apresentado na seleção oficial do Festival de Cannes em 1993, o filme de Jane Campion impressionou o júri, presidido por Louis Malle e composto, entre outros, por profissionais como Gary Oldman, Abbas Kiarostami e Claudia Cardinale. Holly Hunter recebeu o prêmio de melhor interpretação feminina, e o filme recebeu a prestigiada Palma de Ouro, recompensa partilhada com o filme “Adeus minha concubina” de Chen Kaige. Jane Campion foi a primeira mulher na história do Festival de Cannes a receber a Palma de Ouro pela direção de um filme.
(Fonte: Allocine.fr. Tradução livre.)
QUER SABER MAIS?
- Sobre Jane Campion: http://www.fys.uio.no/~magnushj/Piano/campion.html (em inglês)
- Sobre Holly Hunter: http://www.hollyhunter.com/ (em inglês)
- Sobre a carreira de Harvey Keitel: http://www.adorocinema.com/colunas/renato-martins/harvey-keitel.asp
- Sobre Sam Neill: http://www.ibiblio.org/samneill/ (em alemão, espanhol, francês e russo)
- Sobre Michael Nyman: http://www.michaelnyman.com/ (site oficial – em inglês)
FICHA TÉCNICA:
Título Original: "The Piano"
Música: Michael Nyman
Fotografia: Stuart Dryburgh
domingo, julho 06, 2008
9 e ¹/² semanas de amor (1986)

Depois de vários repeats de Slave to love do Bryan Ferry eu estava decidido a assistir neste fim de semana o filme 9 e 1/2 semanas de amor. Para os desavisados ,que acham que isso é título de filme mulherzinha româtica da década de 80, me desculpe, pois até o final passa bem longe do que poderia se tornar um romance ideal. Eu mesmo caí brincando neste título dúbio, mas paguei todos os meus equívocos apreciando cada cena do filme. Eu aqui tentarei destrinchar aqui com minhas palavras, mas faltarão muitas, até porque, em certos casos, o silêncio faz até mais sentido.
Para resumir em uma palavra, eu poderia dizer que o filme é sensual. Não falo apenas do lado sexual envolvido nele, mas o lado literal da sensualidade. De atiçar os sensos enquanto cada jogo sexual envolve aromas, gostos e é claro, tudo que envolve a natureza sexual humana. Tudo posto em jogo.
Essa é a estória de dois estranhos que se conhecem por aí num bairro qualquer de Nova York com nada a perder. Literalmente nada a perder, porque a vida seria tão comum se não houvessem imprevistos. Imprevisível é uma das outras palavras que eu bem poderia também definí-lo, pois à cada cena, quando você se envolve com as personagens, mais você se sente dentro de um espiral de incertezas e medos. "Eles quebraram todas as regras", uma das chamadas de cartazes que fez o que prometeu sobre a identidade deste filme.
Tudo passado na tela parece trabalhar muito bem todos os nossos sentidos, porque nada , pelo menos para mim, passou em branco. O diretor Adrian Lyne mais uma vez me surpreendeu, logo ele que me fez impressionar com a personagem Alex, de Glenn Close, em Atração Fatal (1987). Neste filme que vos redijo não teve como não tentar desvendar a alma dos dois personagens e além disto trabalhar cenas do belo ao grotesco de forma tão artística. Cenas muitas destas em que só de relembrar me dá vontade de assistir de novo, só para saber se a impressão que eu tive será a mesma.
As Atuações de Kim Basinger e Mickey Rourke caíram como luvas nas personagens centrais do filme. E se é para criticar negativamente algo nele, eu posso dizer que uma coisa me fez bastante decepcionado : ele ter um final. E daqueles bem inesperados.




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Cena do filme com a música Slave to love
Slave to Love - Bryan Ferry
Post do blog Yuppie Guy
terça-feira, maio 27, 2008
(Fonte: MSN Entretenimento)
http://www.famosidades.com.br/v2/gerador/paginas_geradas/noticias/noticias_mod_4915.htm
Minha homenagem A Sydney Pollack, o brilhante diretor de filmes como "A intérprete" (2005), "Tootsie" (1982) e "Entre dois amores" (1985).
A morte é incapaz de vencer o artista, pois sua obra lhe faz alcançar a eternidade.
segunda-feira, fevereiro 18, 2008
"Sweeney Todd - O Barbeiro demoníaco da Rua Fleet" (2007) - Por Elis Campos
Depois de séculos de ausência (me perdoem, eu estava de férias durante os dois últimos meses), volto aqui pra tentar atualizar o bloguito. Tanto é que esse post nem será sobre um filme que já tenha saído em dvd. Ele está em cartaz nos cinemas, esperando que você vá vê-lo, porque vale à pena.
Só existem quatro atores vivos pelos quais ponho minha mão no fogo no que diz respeito à grande capacidade de interpretar personagens excêntricos: Jack Nicholson, Willem Dafoe, Gary Oldman e Johnny Depp. Qualquer um desses quatro é garantia de um louco, estranho, psicótico, esquisito e incomum que realmente convença - cá pra nós: esse tipo de personagem é difícil de se fazer. Sejamos sinceros: ou o personagem fica incrível ou irremediavelmente falso - tudo depende do ator que o interpreta, não é mesmo?
Acho que cada ator e atriz segue, ao longo de sua carreira, um caminho voltado a um tipo psicológico específico - o bonachão, o perverso, o caubói, o durão, o sentimental - e alguns brilham ao seu estilo e no gênero no qual mais trabalham. Pra perceber bem isso, acompanhe com atenção a carreira de algum ator ou atriz. Veja seus filmes (dos mais famosos aos mais apagados), leia sobre ele (ou ela), assista suas entrevistas e você vai perceber qual é a linha na qual o profissional mais se dá bem.
Os quatro que eu citei acima têm talento todo especial para personagens, digamos, "incomuns":
Jack Nicholson fez "O Iluminado", "Batman", "Um Estranho no Ninho" e uma penca de outros maravilhosos filmes com protagonistas esquisitões e até bizarros;
Gary Oldman fez "O Profissional", "Drácula de Bram Stoker", "Sid & Nancy" e vários outros personagens curiosos;
Johnny Depp fez "Edward Mãos de tesoura", "O Libertino" e o recém lançado na grande tela aqui no BR: "Sweeney Todd".
E é sobre Johnny Depp e seu incrível "Sweeney Todd" que vou falar agora.
Depp, que literalmente "fez a cabeça" (e porque não dizer que ainda faz :-)) das mulheres como o inesquecível Edward, está de volta, munido de navalhas ao invés de tesouras e pronto pra fazer barba, cabelo, bigode e pescoço de muita gente. E melhor: com Tim Burton de novo.Disposto a tomar a mulher para si, manda prender Benjamin sem causa alguma para, enfim, conquistar seu objeto de desejo. Barker vai preso e Turpin começa a insistir para que a mulher lhe dê atenção. Um dia, manda chamá-la à sua casa prometendo que soltará o barbeiro da prisão, e alegando que deseja lhe pedir desculpas. A mulher, tão ingênua quanto o marido, vai falar com Turpin. Trancada dentro da casa dele e diante de um baile de máscaras onde não falta álcool, a moça começa a beber e vira presa fácil pro juiz, que aproveita-se dela e a estupra.
Isso tudo é narrado por Barker que, agora de volta a Londres e à liberdade depois de 15 anos de prisão, mudou seu nome para Sweeney Todd e está disposto a se vingar.
Ao chegar à sua antiga casa na Rua Fleet, percebe que ela está vazia. A vizinha, Mrs. Lovett (Helena Bonham Carter excelente), dona de uma loja de tortas imunda, lhe diz que a mulher, após o ocorrido, tomou veneno, e a menina, Johanna, está nas mãos de Turpin, que a cria como a uma protegida. Todd está arrasado e com ódio cada vez maior de seu inimigo. Lovett, depois de reconhecê-lo como o sr. Barker, devolve-lhe aquilo que era o seu instrumento de trabalho, que agora se tornará arma de sua vingança. Um conjunto de navalhas de prata que, como Todd diz, é a extensão de seu braço. A partir daí ele decide espalhar sua fama de melhor barbeiro da cidade, com o único objetivo de fazer sentar em sua cadeira o juiz Turpin.
Todd resolve, então, unir-se à Mrs. Lovett para pôr em prática seu plano de vingança: matar o juiz Turpin, seu bedel e recuperar a filha Johanna. Mas até cumprir seus objetivos, muito sangue vai jorrar e muitos pescoços vão "passar pela navalha". Mrs. Lovett aproveita a sucessão de acontecimentos para rechear suas tortas com carne sem precisar ir ao açougue e sem gastar nenhum tostão :-O
Mrs. Lovett e Todd não sabem, porém, que suas vidas sofrerão uma grande reviravolta, e que nada, nunca mais, será como antes.
Alan Rickman interpreta o perverso juiz Turpin, o arquiinimigo do barbeiro Benjamin Barker (Johnny Depp)
"Sweeney Todd" traz à tona, através do universo fantasioso maestralmente criado por Tim Burton, o lado mais degradado e negro da alma humana. Para Todd, todos merecem morrer e, de uma forma ou de outra, acabam sempre caindo no mesmo abismo da maldade e se contaminando com a sujeira e a imundície da natureza humana.
O filme é surpreendente e deixa qualquer um sem a mínima idéia de como será seu desfecho.
O diretor Tim Burton reencontra Depp, certamente um dos seus atores favoritos - não é à toa que eles já fizeram "A Fantástica Fábrica de Chocolates", "A lenda do cavaleiro sem cabeça" e alguns outros títulos juntos - e conta naquele jeito todo seu de contar uma estória digna de Edgar Allan Poe.
Depp tem, como sempre e sempre, uma atuação sensacional, irretocável, capaz de mostrar muito nitidamente os sentimentos obscuros de seu personagem. Helena Carter faz, com ele, uma dupla perfeita, que de tão boa deixa aquele gostinho de 'quero mais' depois que o filme acaba.
Rickman atua muitíssimo bem (como sempre!) e consegue ceder seu brilho ao filme sem ofuscar os demais.
Sweeney Todd (Johnny Depp) e Mrs. Lovett (Helena Carter) em cena do filme
Pra quem achou Kill Bill o supra-sumo da sangüinolência, depois de assistir a "Sweeney Todd" vai acreditar que o clássico de Tarantino virou filme pra criança. Desde a abertura, sinistra ao som da Tocata e fuga em ré menor BWV 565 de Bach, dá pra perceber que o clima será sujo, sombrio, bizarro e regado a muito sangue. Mas é genial e digno de aplausos.
Recomendadíssimo!
Para saber mais sobre esse musical, acesse:
http://www.cinemaemcena.com.br/ficha_filme.aspx?&id_noticia=17446&id_filme=2531&aba=cinenews
Abraços rubros!
Elis :-)
segunda-feira, outubro 15, 2007
Cá estou
Depois de dois meses de minha ausência nesse blog, venho comunicar que estou concluindo uma resenha que será publicada ainda essa semana no Sete. Estive absolutamente enterrada em compromissos da faculdade, mas consegui enxergar uma luz no fim do túnel e arranjar tempo pra ver algumas coisas ótimas, que brevemente compartilharei aqui com vocês.
Em resposta ao comentário do visitante Elder:
Elder, eu consegui encontrar o VHS de "A amante do rei" no mercadolivre.com. Encontrei com um vendedor que conheço e que sempre me vende uns tesouros maravilhosos. O nome dele é M S Colle. A página deste vendedor está disponível em http://www.mercadolivre.com.br/jm/profile?id=26321764. Como ele sempre tem filmes raros disponíveis, recomendo que você entre em contato com ele e tente encontrar o filme, ok? Creio que você conseguirá. Qualquer coisa, entre em contato comigo: eliscampos@gmail.com. Em breve publicarei a resenha de "A amante do rei" aqui no blog. O filme é maravilhoso e merece ser lembrado.
Gostaria de agradecer as visitas e os comentários de todos. Apareçam sempre por aqui; tentarei publicar resenhas com mais freqüência.
Lancei uma enquete a todos; ela está no final da página, lá embaixo. A pergunta é: 'Quantos filmes você assiste por mês?'. Participem!
Grande abraço a todos
da Elis :-)
quinta-feira, julho 12, 2007
"007 - Permissão para matar" (1989) - Por Elis Campos

Lembram daquele James Bond cheio de bom-humor, cortês até no trato com seus adversários? Pois é; parece que, antes de tirar férias no recente "007 - Cassino Royale" (2006), ele fez a mesma coisa no final da década de 80.
Depois dos tempos de glória absoluta que o famosíssimo personagem de Ian Fleming viveu encarnado em Sean Connery (que fez 07 filmes da franquia), 007 passou pelas mãos de Roger Moore (também atuou em 07 filmes), George Lazenby (que fez um único filme da franquia, em 1969), Timothy Dalton (fez dois filmes: um em 1987 e outro em 1989), Pierce Brosnan (fez 04 filmes) e atualmente é interpretado por Daniel Craig.
Dalton fez "007 - Marcado para a morte" e "007 - Permissão para matar". Falarei aqui sobre o segundo, tido com um dos filmes mais violentos da franquia 007.
Timothy Dalton é o típico ator shakespeariano. Seguindo a tradição de boa parte dos atores britânicos, Dalton fez muito teatro. Há quem diga que um dos motivos que o fizeram abrir mão de seu contrato com a MGM para viver James Bond foi a vontade de voltar imediatamente para os palcos, onde ele é consagradíssimo. Estando preso ao compromisso contratual, Dalton ficou impossibilitado de participar de qualquer outra produção, tanto no teatro quanto no Cinema.
Na época, a família Fleming estava em conflito judicial contra a produtora que detinha parte dos direitos sobre o personagem, alegando que todos os livros de Fleming já haviam sido filmados (apesar de "License to Kill" ter sido baseado em um dos contos do livro "Live and let die", do próprio Fleming). Dalton, que firmara contrato de fazer um terceiro filme, não esperou a decisão judicial e desligou-se do projeto seguinte - "007 - Contra Goldeneye", que acabou sendo estrelado por Pierce Brosnan.
Dalton nunca foi um ator dos holofotes da grande mídia, apesar de ter vivido o badaladíssimo 007. Só os fãs de seus trabalhos o enxergam. No Cinema, Dalton trabalhou em várias produções de época - como uma versão de "...E o vento levou" e "Jane Eyre", adaptação da obra de uma das irmãs Brönte.
Eu, como profunda admiradora de atores e atrizes esquecidos por todos (:-)) me declaro fã do Dalton. Tenho em casa um filme maravilhoso em que ele contracena com a também sumida Valeria Golino e que, infelizmente, nunca foi lançado em DVD aqui no Brasil. A produção francesa "A amante do rei", de 1990, mostra o talento inquestionável do Dalton - em outra ocasião falarei sobre essa obra-prima.

Timothy Dalton em cena com Benicio Del Toro e Robert Davi
Em "007 - Permissão para matar", o famigerado agente a serviço de Sua Majestade arregaça as mangas e parte pra luta. Bond e um companheiro de trabalho perseguem um poderoso traficante de drogas, Franz Sanchez, conseguindo levá-lo preso. Mas Sanchez paga um grande quantia para subornar um oficial e foge, sem que James saiba de imediato.
Com um enorme desejo de vingar-se, Sanchez seqüestra o parceiro de Bond durante sua lua-de-mel e mata sua esposa. Leva-o à sua empresa de fachada, onde há um tanque repleto de tubarões famintos, e joga-o dentro. O agente sobrevive com sérias seqüelas, mas fica profundamente abalado pela morte da mulher. Bond, que era muito amigo dos dois, resolve tirar tudo a limpo, pagando a Sanchez com a mesma moeda.
Aproveitando-se da esposa infiel do traficante e aliando-se a uma piloto, grande conhecedora das rotas do tráfico de drogas, Bond deseja desmantelar o organizadíssimo esquema de narcotráfico montado por Franz e vingar o que foi feito aos amigos. Impedido de agir por vingança, Bond deserta do Serviço Secreto Britânico e dedica-se sozinho à nova missão.

James Bond (Timothy Dalton) e Pam Bouvier (Carey Lowell) recebendo novos equipamentos de Q, interpretado por Desmond Llewelyn: ele fez o inventor predileto de 007 em 17 filmes da franquia
Com claras referências ao action cine da década de 80, que trouxe grandes clássicos do gênero como "Duro de matar" e "Máquina mortífera", "007 - Permissão para matar" é, ao meu ver, um dos melhores filmes da franquia. Timothy Dalton consegue dar equilíbrio entre seriedade e humanismo a James Bond, sem perder o charme. Muitas cenas bem boladas de ação e um elenco de ótima qualidade, com o iniciante Benicio Del Toro como o maligno capanga de Sanchez e o ator Robert Davi, bastante presente em filmes do gênero nessa época, interpretando Sanchez. Sem deixar de citar as sempre belas bond girls, aqui vividas por Talisa Soto e Carey Lowell.
Um filme ótimo. Recomendadíssimo :-)
- Quer saber mais sobre o 007? Visite:
http://jamesbond.com/
(em inglês)
Grande abraço!
da Elis
"007 - License to kill"
Origem / Ano: EUA/ 1989
Duração: 134 min
Direção: John Glen
sábado, junho 30, 2007
American Graffiti


Vou começar esse post com uma pergunta : Você quer entender a cultura Americana? Assista esse filme, simplesmente assista e veja pelos seus próprios olhos os fatores que fazem da sociedade americana uma sociedade de quatro rodas, dos fast foods e da competição desenfreada. Isso é parte do que os EUA são, realmente.

"American Graffiti"(1973, 110 mins.), foi um dos primeiros filmes rodados pelo diretor George Lucas antes da sua consagração pela trilogia dos filmes "Guerra nas Estrelas", além do filme ser produzido pelo grande Francis Ford Coppola. O filme relata uma noite após a formatura de quatro estudantes de uma escola numa pequena cidade no interior dos EUA, em 1962. Alguns já tem a promessa de uma vaga na Universidade, porém um deles não tem certeza se é isso realmente o que almeja para seu futuro, outro está alistado no exército para a guerra do Vietnã e outro não sabem ao certo o que irá fazer da vida.
Ao longo da noite, os quatro vão se metendo em encrencas, corridas de carro, além de tudo, vão fazer da noite após a formatura um grito de liberdade, ainda que temporária.
Os cenários se dividem entre as ruas, os arredores da cidade, além do famoso Mel's drive-in, onde os jovens costumavam se encontrar para organizar as corridas, paquerar e aproveitar a noite.
Ao longo do filme, nos carros dos personagens ao som do programa do DJ Wolfman Jack, que, na verdade, foi uma personalidade do rádio nos EUA que despontou com sua descontração no seu programa "Dj wolfman Jack show". O programa toca classicos como "Johnny B. Good" de Chuck Berry, "Oh boy" de Buddy Holly e "Smoke gets in your eyes" de The Platters. Para quem gosta de rock dos anos 50 e aquele rock bem comportado do começo da década de 60, este é um filme prato cheio!
Segundo George Lucas, a iniciativa para fazer esse filme foi por lembrar seus tempos de adolescência na cidade de Modesto, na Califórnia. Este filme certamente deixou um legado de fãs de várias gerações relembrando os tempos dourados do período pós-guerra nos EUA.
Curiosidade : Harrison Ford tem uma pequena participação durante o filme, ainda no começo de sua carreira como ator. Tudo porque Ford era marceneiro da casa de George Lucas, fazendo com que o diretor achasse que ele teria um papel adequado na trama.
Quem quiser mais informações, entre em contato comigo!
Abraços!
Lucas
segunda-feira, abril 16, 2007
domingo, janeiro 14, 2007
Novidade
Bem, pessoal, essas férias já já vão acabar.Passaram como um sopro!Nossa colega Marina está viajando e Monique e eu estamos em processo de exames para tirar habilitação.Por isso a falta de atualização do bloguito.Mas dentro em breve vai haver post novo.
Agora, como vocês podem ver à direita da página, apareceu um negócio assim:"Vimos, gostamos e recomendamos para este mês".Bem, essa foi uma sugestão da colega Ana Elisa: recomendarmos alguns títulos de filmes à parte de nossas resenhas.Poderemos resenhar sobre algum deles mais à frente mas, de imediato, eles fazem parte de uma lista de sugestões de filmes que consideramos boas pedidas.Vale salientar que você também pode nos mandar sua sugestão para que a publiquemos (na coluna "O leitor do Sete recomenda".Disponibilizaremos o título sugerido e o nome de quem o sugeriu, ok?É só enviar e-mail para setefacesbr@yahoo.com.br.
Por enquanto vai ser uma pequena lista atualizada por mês.Depois de pegarmos o pique, atualizaremos, se possível, por semana.Esperamos que apreciem!
Aguardem para esses dias a primeira resenha de Literatura.
Grandes abraços!
Elis :-)
segunda-feira, dezembro 25, 2006
"Minha Amada Imortal" (1994) - Por Elis Campos
Em primeiríssimo lugar gostaria de desejar a todos um Natal e um Ano Novo cheio de paz, saúde e alegrias. Nesse época tão especial, em que comemoramos o nascimento daquele que mudaria o curso da História da Humanidade, é bom que nos recordemos de que Jesus foi e continua sendo um exemplo de bondade, misericórdia, perdão e amor. Ele continua de braços abertos a todo aquele que o buscar – basta possuir um coração quebrantado e disposto a se abrir a mudanças significativas!
Nesse nosso primeiro Natal no bloguito, espero que nos encontremos por aqui no final de 2007, podendo dizer que foi um ano maravilhoso e cheio de paz. Felicidades mil a todos! Que Deus esteja com cada um de nós.
Depois de ser descoberto pelo nobre Maximiliano Franz, que passou a protegê-lo e a financiar seus estudos em Viena, Ludwig foi estudar com Mozart. Só que, aos 17 anos, viu seus planos de estudos frustrados quando precisou voltar a Bonn para cuidar dos irmãos menores. A mãe havia morrido e o pai mal podia cuidar dos filhos; ele era alcoólatra e não trabalhava mais. Para sustentar a família, Ludwig passou a dar aulas de piano e a tocar violino numa orquestra teatral. Durante esse período enfrentou muitas dificuldades e acumulou mágoas e frustrações.
Posteriormente, de volta a Viena (em 1792), Ludwig foi estudar com Joseph Haydn. A partir daí, Ludwig tornou-se um pianista cada vez mais brilhante, fazendo muito sucesso entre a aristocracia vienense. Apesar da fama, Beethoven não mudou seu jeito de ser e, com fama de genioso, não deixava de chamar a atenção pela “falta de modos” e pelo desalinho em que andava sempre. E era tão rebelde que não faltam histórias que comprovem seu comportamento inquieto. Em 1806, hospedado no castelo do príncipe Lichnowsky, um antigo protetor seu (ao qual dedicou sua Sinfonia nº 2), ele foi chamado para tocar piano para alguns oficiais de Napoleão. Ludwig mandou dizer, por intermédio de alguns funcionários da casa, que não iria porque estava cansado da viagem e precisava repousar. Não se sabe se em tom de brincadeira ou não, o príncipe mandou dizer que, se ele não fosse, iria mandar buscá-lo à força. Em mais um de seus conhecidos ataques de ira, Beethoven simplesmente pulou a janela e voltou a pé para Viena.
Outro conhecido episódio conta que, certa vez, Ludwig foi visitar o irmão mais novo, Johann, que nessa época era um homem bastante rico. Quando entrou na mansão, um criado entregou-lhe um cartão de visitas que dizia “Johann van Beethoven, proprietário de terras”. Ludwig pegou o cartão, escreveu no verso “Ludwig van Beethoven, proprietário de um cérebro” e devolveu-o ao criado.
A partir de 1798, começou a sentir os primeiros sintomas da surdez progressiva, que viria a generalizar-se em 1815. Por causa do desenvolvimento da doença, Ludwig começou a isolar-se e a viver afastado da companhia dos amigos. Passou a comunicar-se com eles, na maior parte das vezes, por intermédio de correspondências.
Com inúmeras obras, muitas delas conhecidíssimas, Beethoven consagrou-se um dos grandes gênios da Música de todos os tempos. Faleceu em Viena em 26 de março de 1827, aos 56 anos, enquanto ainda fazia os esboços de sua décima sinfonia.

O filme é belíssimo, cheio de cenas maravilhosas. O britânico Gary Oldman ficou com o papel principal e o elenco ainda conta com a presença das italianas Valeria Golino e Isabella Rossellini.
Apesar de não ser ele mesmo quem executou as músicas ao piano durante as gravações, Oldman teve aulas do instrumento e praticou cinco horas diárias para conseguir fazer os mesmos movimentos de um exímio pianista.
Oldman é conhecido pela grande preocupação em ser o mais fiel possível ao personagem, transplantando-se totalmente para ele e encarnando-o com entrega total. Tanto é, que é chamado por muitos de “camaleão” – pela grande capacidade de metamorfose física e psicológica que possui. Em “Immortal Beloved” não foi diferente. Ficou um Beethoven com direito aos cabelos revoltos e a toda a genialidade fluente.
Destaque para as cenas que mostram a estréia triunfal da 9ª Sinfonia em Viena – Beethoven, sem poder escutar nada, lembra-se de fatos da sua infância em Bonn – sem dúvida, uma das seqüências mais lindas de todo o filme. Um interessante recurso utilizado pelo diretor é, em algumas cenas, nos pôr no lugar do músico, para que possamos experimentar a sensação de sua surdez total.
Trailler disponível em:
http://www.imdb.com/title/tt0110116/trailers
Trechos da famosa carta em:
http://www.lvbeethoven.com/Amours/LvBeethoven-AmadaInmortal-Cartas.html
(em espanhol)
Quer saber mais sobre Beethoven? Acesse:
http://musicaclassica.folha.com.br/cds/03/sites.html
Abraços!
Da Elis :-)
"Immortal Beloved"
Origem/ Ano: Inglaterra/ EUA/ 1994
Duração: 123 min
Direção: Bernard Rose
quinta-feira, dezembro 21, 2006
Nota
Por motivos os mais diversos, ainda não pudemos atualizar o bloguito. Além do mais, carregar as imagens tem sido um estorvo sem tamanho. Mas nesse final de semana sai novidade. Aguardem novos posts!
Abração
da Elis ;-)
sábado, outubro 14, 2006
"Totalmente Kubrick" (2005) - Por Elis Campos

A curiosa situação de ser ou passar-se por outra pessoa é, vez ou outra, explorada pelo Cinema.Desde casos absurdos como o mostrado no filme “A Outra Face” – no qual Nicolas Cage e John Travolta revezam as suas feições através de fantásticas cirurgias plásticas – a ocasiões hilárias que compõem reflexões inteligentes como as de “Quero ser John Malkovich” – vê-se a temida ou desejada hipótese de, num passe de mágica, mudar de identidade.
John Malkovich, que já deu nome a filme (o citado acima) e já enfrentou o desafio de interpretar a si próprio (!) nesse mesmo filme, parece que tem um carma pra cair em papéis assim, curiosos.Foi o que aconteceu com ele em um de seus trabalhos mais recentes: “Totalmente Kubrick”.Agora ele topou encarnar um cara que fingia ser o genial diretor Stanley Kubrick.
Não vou me deter muito em falar sobre o John; quem me conhece sabe que eu caio de amores por ele e sou, certamente, suspeitíssima de falar sobre esse ator.Coleciono seus trabalhos e o admiro demais pelo seu inegável talento.Um ator que rema contra a maré hollywoodiana de atores lindíssimos é um careca gordo que resolveu cair um pouco fora do Cinema norte-americano e buscar “outros horizontes” no Cinema Europeu.Tem muitos trabalhos notáveis que, certamente, vocês nos verão comentar por aqui algum dia.
Nesse filme ele é Alan Conway, um ser completamente exótico que resolveu sair espalhando aos quatro ventos que era Stanley Kubrick, durante as filmagens do derradeiro trabalho do mestre, “De Olhos Bem Fechados” (entre 1998 e 1999) .Como o diretor era uma pessoa bastante reclusa, não foi difícil para Alan convencer meio mundo de que era ele.Valendo-se da fama de Kubrick e da admiração de seus fãs, Conway pede dinheiro emprestado, carro emprestado, casa emprestada...e não paga.Ele literalmente "passa a perna" em todo mundo.Ganha presentes caríssimos e anda de táxi de graça; sai convidando pessoas aleatoriamente para participarem de seus "futuros filmes" - enfim, apronta tudo e mais um pouco.O povo, admirado ante uma figura misteriosa que tornou-se um mito, faz de tudo para satisfazer seus gostos e não mede esforços pra isso. Tudo na companhia de outros indivíduos excêntricos.
Mas depois de tanto aprontar, Alan é descoberto e torna-se famoso não por ser Kubrick, mas por ter conseguido fingir ser ele durante tanto tempo.Sua habilidade em manter seu personagem trouxe a tão desejada fama.Porém, tido agora como um usurpador, e não um ídolo, Conway perde o encanto e vai parar num hospício.Mas com suas estratagemas mirabolantes ele continua enganando os outros.Uma situação absurda que, por incrível que pareça, aconteceu, mesmo.

John Malkovich (Alan) em cena do filme
O filme é ó-ti-mo.E cheio de cenas hilárias.John tá com um figurino estranhíssimo: muitas plumas, paletós ridículos, calças horrorosas e bastante maquiagem.Os outros atores são na maioria desconhecidos; alguns, já vistos em outros trabalhos - como Luke Mably ("Um Príncipe em Minha Vida"), por exemplo.
Se o mestre Stanley Kubrick estivesse por aqui e ficasse ciente dessa história por completo, dá até pra imaginar que ele não ficasse ofendido, de forma alguma, com essa situação.Pelo contrário: talvez ele até fizesse do ocorrido o tema de algum filme seu.
A trilha sonora é, ao meu ver, um ponto fortíssimo do filme.Bastante Beethoven, Strauss, dentre outros: só clássicos já conhecidos dos filmes de Kubrick - "Laranja Mecânica", "2001 - Uma Odisséia no Espaço", etc.
Uma ótima cena é quando Alan, deitado em sua cama forrada com lençóis muito "discretos", começa a falar sobre alguns de seus métodos para enganar e fazer trapaças.Muito criativo!
Há dois trailler's disponíveis na net: um beeeem esquisitão, no site oficial do filme: www.colourmekubrick.com e outro, presente no link abaixo (infelizmente sem legendas em português):
http://www.cinemovies.fr/fiche_multimedia.php?IDfilm=2165
Abraço grande a todos!
da Elis :-)
"Colour me Kubrick"
Origem/ Ano: França/ Reino Unido/ 2005
Duração: 86 min
Direção: Brian Cook
terça-feira, outubro 03, 2006
Saudações
Passo para comunicar a todos sobre a chegada de mais uma colega no nosso "Siete": Marina.
Ela também vai trazer seus posts para compartilhá-los conosco (fãs do cineasta Pedro Almodóvar aguardem ótimos comentários ;-) ).Marina, fique completamente à vontade!
Sobre os nossos outros colegas do blog (Hugo e Monique) que estão faltosos (kkkkkkkkkk), aguardem novos comentários, dentro em breve!
Abraços
da Elis :-)
sábado, setembro 16, 2006
"Os Girassóis da Rússia" (1970) - Por Elis Campos

Essa semana resolvi dar uma revirada no fundo do baú, caçando umas jóias nas esquecidas prateleiras de VHS da locadora que freqüento.Peguei uns títulos que há muito queria ver e, aproveitando o vídeo-cassete tão gentilmente cedido pelo amigo Hugo, matei as saudades daquele tempo (não muito distante) em que a gente rebobinava a fita e nem sonhava que, um dia, iriam inventar a seleção de cenas.
Pois bem: peguei “O Tempo Redescoberto” (Raoul Ruiz), “Gêmeos – Mórbida Semelhança” (David Cronemberg), “Os Girassóis da Rússia” (Vittorio de Sica) e “O Sétimo Selo” (Ingmar Bergman).Infelizmente não deu pra ver “O Sétimo...”, nem pra ver o finalzinho de “O Tempo...” (que, aliás, recomendo a quem conhece a vida e a obra de Marcel Proust) mas, dos que eu pude saborear por completo, trago pra recomendar pra vocês “Os Girassóis da Rússia”.
Marcello Mastroianni (de “A Doce Vida”) e Sophia Loren (de “A Queda do Império Romano”), a dupla dinâmica do Cinema Italiano que fez bastante sucesso entre as décadas de 60 e 70, gravou esse filme em 1969-70, dirigido por Vittorio de Sica (“Ladrão de Bicicletas”).Os três já haviam trabalhado juntos em 1963, em “Ontem, Hoje e Amanhã”.
A parceria entre Loren e Mastroianni perdurou por mais 5 filmes.No total, eles tiveram 12 trabalhos em comum (o primeiro foi em 1950 e o último em 94, dois anos antes da morte de Marcello) e foram, creio eu, grandes representantes do excelente Cinema Italiano pelo mundão afora.
Giovanna e Antonio, recém-casados, são separados quando, por artimanhas malucas do destino, ele é convocado pelas tropas italianas a partir para a Rússia em defesa de seus país, que enfrentava a Segunda Guerra Mundial.
Antonio vai e nunca mais dá notícias.Simplesmente desaparece sem deixar pistas: as forças armadas o consideram morto.Inconformada e crente de que seu marido não morreu, Giovanna vai à Rússia procurá-lo.Qual não é sua surpresa quando ela encontra Antonio, mas não seu marido.
“I Girasoli” foi gravado parte na Itália, parte na Rússia.Tem uma trilha sonora muito bonita e várias cenas memoráveis, como a que mostra Giovanna procurando, um por um, o túmulo do esposo num imenso campo de girassóis e as lindas cenas de despedida e reencontro das personagens.
A DVD Versátil está prestes a lançar esse filme numa edição cheinha de material extra, completamente restaurada.Mas quem quiser apreciar essa linda obra do De Sica antes pode encontrar o VHS na seção de filmes clássicos de algumas locadoras.
Origem/ Ano: Itália/ Rússia/ 1970
Duração: 100 min
Direção: Vittorio de Sica
Abraço Grande!
Da Elis ;-)
quinta-feira, setembro 14, 2006
Sinal de Vida
Como estão vocês?
Esse final de semana sai comentário quentinho no "Siete"!Depois de quase três meses de ausência (por pura falta de tempo e desencontros diversos)nós voltaremos, com gosto de gás, ao bloguito.
Nesse final de semana tem comentário de quem vos fala e, semana que vem, se Deus quiser, sai filme comentado pelos três colegas participantes.
Volto em breve!
Abrazos
da Elis ;-)
quarta-feira, junho 28, 2006
"Guerrilha sem Face" (2002) - Por Elis Campos

Dia desses estava eu zanzando pela Americanas, o paraíso dos chocólatras e dos caçadores de tesouros, pondo a baixo as prateleiras de DVD’s, em busca de alguma preciosidade com preço sedutor.De repente me deparo com “Guerrilha sem Face” e, incrédula, me dirijo a um atendente da loja pra saber quanto custava o achado.
Mais incrédula ainda ouço a módica cifrinha de 16 pratas.Penso:
- Um filme desses, difícil de achar, por 16 reais...Que coisa!
Acabei levando o DVD.
Li, antes, alguns materiais na Internet falando sobre o filme.Descobri que ele foi o principal responsável por lançar o ator Javier Bardem no mercado cinematográfico norte-americano.Antes dele, Bardem só era mais conhecido em seu país de origem, a Espanha, apesar de já ter participado de excelentes filmes, como “Antes do Anoitecer”(2000) - (no qual interpretou o escritor cubano Reynaldo Arenas) e “Carne Trêmula” (1997), de Pedro Almodóvar.
Javier veio a conhecimento do público mundial justamente depois de “Guerrilha...” – que é de 2002.Foi quando trabalhou com o diretor Alejandro Amenábar em “Mar Adentro” (2004), vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro.
O fato é que Bardem é sensacional.Um profissional de primeira linha, considerado por muitos o melhor ator espanhol da atualidade, ele promete ainda mais interpretações excelentes.
Javier Bardem (Agustín) e Laura Morante (Yolanda) no filme
Em “Guerrilha sem Face” ele é o sargento Agustín Rejas, um advogado sem sucesso que largou a profissão por não encontrar mais nela a tão valiosa verdade que estimava.Resolvido a ganhar a vida de forma mais honesta que antes, ele acaba arranjando um emprego ruim na polícia local.
Casado com uma mulher um tanto fútil e pai de uma menina, Rejas vai levando a vida normalmente, até o dia em que é escalado
para investigar uma série de atentados cometidos contra membros do governo.Tentando descobrir a identidade do misterioso “presidente Ezequiel”, líder revolucionário aclamado pelo povo e responsável pelos ataques, Rejas presencia a ascensão de uma verdadeira guerrilha, enquanto seu país, desmoralizado por políticos corruptos, é tomado pelos militares.
Ao mesmo tempo em que sua pátria desmorona, Agustín apaixona-se pela professora de dança de sua filha, uma criatura pra lá de enigmática, apesar de aparentemente inofensiva.
O desfecho do filme, com um quê de surpreendente, é o que há de melhor no longa-metragem.As cenas finais são as mais belas: a câmera, bastante intimista, focaliza o rosto de Bardem durante, aproximadamente, três minutos ininterruptos.Sensacional.
“The Dancer Upstairs” é inspirado num caso real: a perseguição e captura de Abimael Guzman, líder de um exército de guerrilheiros peruanos.Um ótimo filme que eu sugiro a todos!
“The Dancer Upstairs”
Origem/Ano: EUA/ Espanha/ 2002
Duração: 127 min
Direção: John Malkovich
Abraço grande da Elis ;-)
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